Meus caros, eu não sou nenhum santo, mas não posso deixar de fazer uma leitura sobre essa abordagem de mal gosto que fizeram de uma imagem do simpático Obama, olhando para a protuberância da jovem Mayara Alves, uma ativista do terceiro setor no Rio de Janeiro. Se é que o presidente americano olhou para o alvo, conforme insinua à imagem...
Acho que a mídia está tão sexualizada e tarada, às vezes extrapola. Quem realmente deve ter ficado excitado com bonita morena foi fotógrafo, que teve no seu editor, possivelmente também um tarado, o apoio para publicá-la. Infelizmente, a visão que determinados estrangeiros tem do Brasil é essa: o país da mulata, samba e futebol. A Mayara vai ficar marcada não mais pelo seu trabalho, mas por sua inegável protuberância. E assim, a mídia estereotipa e chancela as pessoas.
PS. Protuberância é uma saliência sobre uma superfície ou dorso, compreenderam?
Meus caros , Michael Jackson foi vítima ou monstro da mídia? É inegável que o “Peter Pan” negro era por demais talentoso e ao mesmo tempo controverso. Uma análise da representatividade de MJ deve certamente consumir horas de pesquisa. Afinal, o cara esteve na ribalta por mais de 40 anos, sempre diante dos holofotes e câmeras da grande mídia.
Acredito que Jackson tenha sido o principal personagem dessa transição tecnológica midiática que começou, efetivamente nos anos 1980. A estética e linguagens aplicadas em suas produções, seja, musical ou visual, ajudou na construção e implantação de uma nova forma de produção da indústria do entretenimento. De alguma forma também, essa produção continha uma mensagem subliminar do “american way of life”.
A globalização teve em MJ um de seus principais ícones. De certo modo sua imagem foi associada ao mundo pró-americano em tempos de guerra-fria, mesmo que naquele momento a queda do bloco socialista já fosse inevitável, pela fadiga econômica. Digamos que Jackson foi um cruzado, anunciante das boas novas de uma nova era , na qual o consumo seria nossa principal força motriz. Intencionalmente ou não, ele encarnou esse cavaleiro porta-estandarte de uma ordem pujante que demonizava os pecadores do leste.
Naqueles doces anos, Mr. Reagan declarou que a antiga URSS era o próprio “império do mal”, a indústria do entretenimento logo criou seus personagens sobre humanos como Rambo, John Matrix, John McClane, entre tantos outros heróis, bons de porrada criados por Holywood.
Mas Michael Jackson representava à face mais artística, elaborada e condensada dessa cruzada. Ele encarnava a fantasia daqueles que se sentiam excluídos e oprimidos pela excomunhão política e até econômica. Na própria América, MJ foi usado para entreter uma comunidade em permanente revolta, como a comunidade negra. Mas seu talento ultrapassou essa esfera. Branco acabou por ser universalizado em todas comunidades étnicas do EUA e de todo o mundo.Vendeu mais de 750 milhóes de discos. O estabilishiment sempre soube usar a produção cultural para inebriar e levar sua mensagem, e assim apaziguar as massas.