Meus caros, este começo de 2012
está sendo bem agitado no que diz respeito à cobertura da mídia em relação as
nossas diversas e conhecidas problemáticas sociais. A ocupação da “cracolândia”
no Centro de São Paulo, no último dia três de janeiro, já dava vistas de como a
temática dos mais pobres no Brasil acaba por se tornar caso de polícia. Na
verdade, historicamente já está consignado que pobre neste país nasceu para
levar bordoada do estado. A mídia sempre justificou essas ações policiais como
ato defesa da sociedade como um todo, que como já estamos “carecas” de saber só
respalda os anseios dos bacanas dos Jardins e do Leblon. A sensação que tenho
nesse tipo de episódio é de que estamos apenas espantando as baratas da cozinha.
De que adianta fazer isso se a mesma está mal conservada e suja?
Na continuidade do agitado mês de
janeiro ocorreu a lamentável ação da tropa de choque da PM paulista na remoção
dos 6 mil moradores da comunidade do Pinheirinho, na cidade de São José dos
Campos-SP, que foi devidamente justificada pelos jornalões do país. Teve colega
dizendo que ato fez prevalecer o estado de direito e o ideal republicano.
A lição disso tudo, sobre esse
tipo de abordagem midiática, em assuntos sensíveis como direito à moradia,
drogas, direitos individuais, das minorias, é de que existe uma criminalização
proposital não só parte das autoridades, mas principalmente da imprensa. Não há
perspectivas de promoção de um debate e não se dá voz aos excluídos. O que vale
é aplaudir o batalhão de choque no trabalho de espantar as baratas.

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